Causas e reformas para abrandamento económico, segundo o ICRIER

Março 27, 2009

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Voltando à questão já aqui discutida da redução do crescimento económico na Índia, um Outlook económico do ICRIER deste mês, junta-se às previsões, mas tenta enquadrar as causas para esse abrandamento e propor uma agenda de reformas

 

“[…] The Indian economy was on a cyclical slowdown after a five-year record boom and there was every hope that the economy will go for another strong growth phase after this brief slowdown. The global crisis has changed that outlook and instead will deepen and prolong Indian economy’s slowdown. It has dealt a severe blow to investment sentiments and consumer confidence in the economy. The policy response so far has been prompt in the form of monetary easing and fiscal expansion but the impact may not be much in the near term.

[…]

Therefore, a better way of responding to the crisis is the often repeated and now become cliché of kick-starting the ‘second round of reforms’ which is long overdue. India has to substantially relax its “permit and approval” system by carrying out procedural reforms which will raise the investment climate for both domestic and foreign investment. It should reform its education system at school and university levels. It should carry out reforms in agriculture in its various stages; from input to output to marketing. The government should press hard in changing policies and procedures to build world class infrastructure of power, roads, ports, airports, urban infrastructure, water and sanitation. India ranks very low among countries on regulatory environment with regard to enforcement of contracts, payment of taxes, business closure, licensing, property registration and setting up of business (World Bank, 2008). Reforms in these areas would be much more effective than just packages of monetary and fiscal stimuli to restore investor and consumer confidence.[…]”

in pag. 25; Conclusions and policy suggestions

 

Alguém conhece e pode avaliar a independência deste organismo? Pelas conclusões traçadas, não parece muito alinhado com perspectivas de avestruz ou com o tal wishful thinking

 

p.m.


Como uma força, como uma força / Como uma força que ninguém pode parar

Março 17, 2009

Se juntarmos este senhor, Vijay Mallya ,empresário e membro da Câmara Alta do Parlamento (Rajya Sabha), não sei se um nomeado pelo/a Presidente se por legislatura estadual, dono da United Breweries e da sua filha já bem crescida Kingfisher Airlines, entre as 400 pessoas mais ricas do mundo, e o sétimo mais rico da Índia, contam as lendas, dono do Indian Princess um barquito de 95 metros,………..é até aqui……….. , pois este senhor juntou-se a Michiel Mol, um jovem milionário holandês e por 88 milhões de euros compraram a Spyker F1, Spyker F1 team officially sold, que na altura ainda só tinha carros movidos por três gajos a empurrar… Daí as suas lacónicas declarações em Outubro de 2007: “Today, after the signing of the official documentation, management of the Spyker Formula One Team has been handed over to the new owners: Orange India Holdings (a consortium of Dr Vijay Malya and the Mol family).”

Nasce assim a Force India. File:Force India logo.jpg

É uma equipa bisneta da Jordan, do Eddie Jordan, só podem ser boa gente…

Os pilotos são o alemão Adrian Sutil e o mais experiente e pontuado Giancarlo Fisichella .

Já participaram em dezoito corridas mas ainda não alcançaram um único ponto.

Na época passada, a primeira da equipa, ficaram respectivamente em 20º e 21º na classificação final, entre 23… Mas os motores são Mercedes V8 de 2.4 litros.

TUDO ISTO TAMBÉM PARA DIZER, esqueçam o autódromo do Estoril. Nova Delhi vai ter o seu grande prémio já em 2011, será nessa altura o nono circuito asiático. Mas o processo não tem andado propriamente a 300 km/h.

Em Junho de 2007 dizia-se isto: “Suresh Kalmadi, president of Indian Olympic Association, announced that the deal for Indian Grand Prix had been clinched and if all went through, New Delhi will host its 1st ever Formula one grand prix in October 2009. The deal is subject to a circuit being constructed in New Delhi and being approved by FIA for its tough safety and other standards. New Delhi will be hosting the 2010 Commonwealth Games, so the 2009 event can be sort of a mini dress rehearsal for the 2010 Commonwealth games.”

Em Setembro de 2007 já diziam isto: “India will host its first Formula One race in 2010, the Indian Olympic Association (IOA) announced on Monday. Hermann Tilke, chief architect for the F1 circuits, has inspected various sites in an aerial survey during his visit to the Indian capital. He selected two sites: Greater Noida in Uttar Pradesh and Sohna in Haryana states, both suburbs of New Delhi. It has been decided that the first Formula One world championship will be held in the national capital region Delhi in 2010.”

Um ano depois, Setembro 2008, já estávamos assim: “Bernie Ecclestone has delayed plans to stage the race in 2010 even though construction work on the circuit in Delhi should be completed in time for the start of the 2010 season. Ecclestone does not want to take any risks and has decided to push the race back a year.

Mas podemos respirar fundo, que isto vinha no jornal há dois meses atrás: “Land acquisition for the 5.5 km track is on and we are hopeful of completing the exercise by February. The designer and contractor for the job too, have been finalised and we are sure of getting the track ready by February 2011, in time for the championship.”

The launch of Force India as one of only 10 teams on the Formula One grid, has stimulated the interest in Formula One in India dramatically and the possibility of Narayan Karthikeyan and Karun Chandhok driving in F1, will further spark an explosion of interest that would soon rival that of traditional sports. ”

Tudo isto vai gerar, dizem, receitas de 70 milhes de dólares e empregar 10 mil pessoas…

Já agora, para terminar, uma foto do bichinho:

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Excepção nenhuma, infelizmente

Março 14, 2009

O suplemento de Economia do Expresso (sem ligação) de hoje tem as  páginas centrais dedicadas ao impacto da crise financeira global na economia indiana, fazendo também um balanço dos principais investimentos naquele mercado emergente.

É sempre bom haver quem dedique alguma atenção à Índia e o Jorge Nascimento Rodrigues é uma das poucas pessoas que, na comunicação social portuguesa, o tem feito de forma consistente (o seu livro sobre a Batalha de Diu foi aliás já aqui recomendado, e um outro traduzido pela sua editora – Made in India – está na bibliografia geral do curso).

Mas o artigo procura argumentar o inargumentável: que a Índia sai reforçada da crise, porque relativamente menos abalada do que as outras economias asiáticias. Vem lá o argumento clássico da menor dependência das exportações (em 1997 ainda fez sentido…), bem como a possibilidade de a crise vir mesmo a reforçar o processo de outsourcing para a Índia (provavelmente influenciado neste artigo).

Mas vamos lá ao essencial, ao fundamental, ao que realmente deveria estar a ser noticiado: mais ou menos, relativamente ou não, esta crise está a afectar a Índia de forma violenta. E é essa a notícia – impossível de camuflar (o artigo abre com o subtítulo absolutamente fantástico que a economia deverá crescer a quase 7% em 2009… mas nos parágrafos seguintes, descai-se e vêm as previsões “pessimistas” – e muito mais realistas – de que talvez nem se chegue aos 3%! De qualquer forma, what’s the point? – como é que é, neste momento de profunda incerteza, é possível e mesmo interessante prever qualquer crescimento que seja?)

Porque é que isto acontece, não só neste artigo, mas em geral, na imprensa ocidental? Acima de tudo, por causa das fontes – a grande maioria das fontes consultadas, e as citações demonstram-no bem, são indianas (embora surja lá também o Prof. Viassa Monteiro, orador na nossa segunda sessão). E a excepção é o João Caiado Guerreiro da CCPI, uma Câmara de Comércio, a que não convém naturalmente nada traçar um panorama negativo sobre o mercado que aqui procura vender.

Ora bem, para quem lê diariamente a imprensa económica  e de referência indiana é assustador o silêncio a que esta crise está a ser votada (falei disto na última aula). Não olhemos sequer para o Governo e as autoridades públicas – na opinião pública indiana não há ninguém que tenha feito uma análise consistente e vindo a público (claro, estamos a um mês de eleições nacionais) afirmar que, com esta crise, se desmorona (ou pelo menos adia) todo o “sonho da superpotência Índia 2020” que tem sido vendido aos indianos nos últimos anos.

Ninguém, nem o mais realista empresário indiano, irá neste momento dizer à comunicação social (ainda por cima estrangeira) que as coisas estão péssimas, como realmente estão. Num pacto tácito, continuam a vender o sonho, esperando que os investimentos ocidentais continuem, e esperam para ver.

Aliás, o próprio artigo contém pistas que apontam para esta realidade: acaba com um parágrafo que enumera os duros factos da realidade (“bolsa devastada” por uma queda de 60% desde Janeiro, sector imobiliário em queda de 30%, moeda desvalorizada em 25%)…. “mas não estamos numa situação de pânico”, conclui o artigo quase que ironicamente, citando  Rajesh Chakrabarti, da Indian Business School!

Sobre as “parcerias” portuguesas na Índia, o mapa parece sexy, e realmente com o panorama desolador de há uns 5 anos, hoje há muito mais presença económica na Índia. Mas reparem num detalhe, extremamente simbólico: a Aerosoles, está lá assinalada, em Chenai…: há uns anos o “caso de sucesso” de investimento português na Índia. Hoje…

Adenda: Versões alargadas da reportagem (mais moderadas, a começar pelo título já com um ponto de interrogação bem menos peremptório do que a capa do suplemento de Sábado…), adicionadas hoje, Segunda-feira,  aqui e aqui.