“India; it jumbled things up.”

 

Foi há 20 anos a fatwa lançada pelo Ayatollah Khomeini contra Salman Rushdie, quando do lançamento dos Versos Satânicos, do qual é tirado o título deste post.

  “The book isn’t actually about Islam, but about migration, metamorphosis, divided selves, love, death, London and Bombay.”, escreveu SR ao então PM Rajiv Gandhi, quando o governo indiano proibiu o livro.

Rush+DIE, gritavam alguns cartazes na época. A coisa deu pró torto em Bombaím, onde confrontos com a polícia resultaram em mais de uma dezena de mortos. Aliás, por causa da fatwa, morreram mais pessoas na Índia do que em qualquer outro país, enquanto que SR sobreviveu a mais de uma década na clandestinidade, tendo escrito 6 livros durante esse período.

Tudo isto a propósito deste artigo que li na Time esta semana: http://www.time.com/time/specials/packages/article/0,2880Ver imagem em tamanho grande4,1902809_1902810_1905180,00.html

 

Coincidiu tudo isto com um período da história indiana em que os radicais hindús ganhavam terreno – em ’89 o Shiv Sena elegeu o seu primeiro deputado, e o BJP elegia 85. A violência em Bombaím está descrita num relatório de Abril de ’89 do Committee for the Protection of Democratic Rights. O livro hoje, embora ainda oficialmente proibido, poderá ser adquirido sem problemas na Índia.

Também há esta entrevista de SR ao escritor anglo-indiano Rana Dasgupta, no Telegraph de Calcutá, em 2008:  http://www.ranadasgupta.com/printer_friendly.asp?pagetype=T&id=43    ”

Por fim, um artigo bem interessante de R.Dasgupta sobre o ‘ocaso’ das grandes cidades ocidentais: http://www.newstatesman.com/200603270031

2 respostas a “India; it jumbled things up.”

  1. ken5z9mana diz:

    Não resisto a um excerto daquele último artigo do Rana Dasgupta: “The happy fiction of Europe’s robust liberalism is questionable, as it fails even to accommodate a single group of dissenters: politically articulate Muslims who wish to assert a different vision of social life and law. Compared to this, my adopted city of Delhi, which has its own disputes and violence, seems positively tranquil, especially when one reflects that it must balance the life demands of 15 million people, with so many languages and cosmologies, and such varied notions of commerce, law, healthcare and education, that they cannot really be seen as a “population” in the European sense at all. “When will all the camels and cows depart? When will all these strange human varieties finally be banished and India become modern?” tourists ask. They forget two crucial truths – first, that Europe’s centuries-long project to banish all life forms it could not understand or empathise with was a destructively violent process; second, and most importantly, that Delhi already is modern, and this – all this – is what it looks like. It is an alternative kind of modernity: a swirling, agglomerative kind that seems, at this point in history, to be more capable than western modernity of sustaining radical diversity – to be better-equipped, perhaps, for the principle of globalisation.”

  2. Constantino Xavier diz:

    Essa questão da “modernidade alternativa” é sempre muito atraente (e um debate interminável entre os estudiosos da Índia), mas um tanto ambígua.
    Para uma boa perspectiva recomendo
    “Civil society, public sphere, and citizenship” (eds) Rajeev Bhargava, Helmut Reifeld
    E esta obra editada pelo “clássico” Eisenstadt
    “Multiple modernities”

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