Já que ninguém escreve, olhem, mais uma estatística (embora persa…)

Não sei se terá sido o primeiro artista no mundo a morrer com SIDA, mas António Variações foi certamente o primeiro português, no dia de Santo António de 1984, com 39 anos. Morreu num hospital em Lisboa e queimaram a cama a seguir, tal era o desconhecimento que existia em relação à doença. Foi mesmo há muito tempo – ainda faltavam dois anos para entrarmos na então CEE…

.     Ver imagem em tamanho grandeUm ano depois morria Rock Hudson, surpresa geral para alguns pela sua vida aparentemente dupla, mas quem conhecesse as fotos dele em saunas….

 

 Mas foi a morte de Freddie Mercury em finais de ’91 que deixou mais impacto. 

Poderá ser surpresa para alguns folhear uma Time Asia de 2006, que publica uma lista dos ‘6o years of Asian heroes’, e ver que ela inclui Mercury, tratado no artigo por Bulsara…

Era de facto o nome dele. Nasceu como Farrokh Bulsara em 1946 na ilha de Zanzibar, ao largo da Tanzânia,  freddieandjer.jpg image by daria333  mas os seus pais eram parsis do sul do Gujarat (Bulsar), na então província ‘Bombay Presidency’ do Raj britânico. 

Tinham mudado para o Zanzibar para que o pai prosseguisse a sua carreira no British Colonial Office. E havia uma irmã mais nova, Kashmira, aqui numa exposição de fotos do irmão há uns anos atrás:

Em 1954, aos 8 anos, Freddie é enviado para a St. Peter’s Boy School, um colégio interno em Panchgani, perto de Bombaim, onde foi um estudante brilhante, com aptidão para o desporto, em particular o boxe e o cricket.Em criança ouvia muita música Indiana, e uma das suas primeiras influências foi a mais famosa cantora playback de Bollywood, Lata Mangeshkar, que ele aliás terá tido a oportunidade de ver ao vivo.  Em St. Peter’s toca piano numa banda chamada Hectics… reconhecemo-lo aqui pelos dentes…

Em 1962 – ele já com 16 anos – mudam-se de novo para Zanzibar e depois, em 1964, com a instabilidade política na região, mudam-se definitivamente para Inglaterra. Não sei se a Índia acabou por ter papel na carreira futura – ele pelo menos não a refere – e as suas raízes parsis são muitas vezes traduzidas erradamente como tendo ascendência persa… (reformulação desta frase: Não sei se a Índia acabou por ter papel na carreira futura – ele pelo menos não a refere – e  quando falava nas suas raízes dizia simplesmente serem persas, o que não corresponde bem à verdade das suas raízes geográficas, e revela até alguma vergonha…)

Mas é também verdade que no seu funeral, quando o caixão era levado para dentro da capela, coberto com um lençol de cetim e uma rosa, padres zoroastras, de vestes e chapéus brancas, cantavam preces a deus, Ahura Mazda.   A cerimónia de 25 minutos foi toda celebrada na antiga língua avesta, nem uma palavra de inglês…

zarathustra.jpg image by nicolemq

leituras adicionais:

http://www.adherents.com/people/pm/Freddie_Mercury.html

http://mr-mercury.co.uk/Sunday_Times_Nov_96.htm

http://www.st.peterspanchgani.org/index.htm

http://www.time.com/time/asia/2006/heroes/at_bulsara.html

http://images.google.pt/imgres?imgurl=http://www.beaudog.nl/blog/wp-content/uploads/2007/05/freddie_mercury_ft_kashmira.jpg&imgrefurl=http://www.beaudog.nl/blog/2007/05/19/freddie-mercury/&usg=__JJhfyt0yQR-_4FmwNAtp9x2ptWg=&h=271&w=408&sz=36&hl=pt-BR&start=1&um=1&tbnid=cgc8fnzAkLWjDM:&tbnh=83&tbnw=125&prev=/images%3Fq%3Dfreddie%2Bmercury%2Band%2Bsister%26hl%3Dpt-BR%26rlz%3D1T4ADBF_pt-BRPT309PT309%26um%3D1

8 respostas a Já que ninguém escreve, olhem, mais uma estatística (embora persa…)

  1. Sérgio Mascarenhas diz:

    «as suas raízes parsis são muitas vezes traduzidas erradamente como tendo ascendência persa»

    Erradamente não, correctamente.

  2. ken5z9mana diz:

    bolas, não deixas passar nada…. a minha semãntica é que esteve errada. eu queria era dizer que ele, quando tinha de falar do seu passado, dizia ser persa, o que não corresponde bem à verdade… sempre eram migrantes do gujarat… um pouco como nós dizermos que somos nazarenos…

  3. ken5z9mana diz:

    Um pouco como o Tata dizer que é persa… se calhar di-lo, não sei…

  4. smascrns diz:

    Bem, há uma ascendência persa, por distante que seja, o que já não se pode dizer caso os tugas se dissessem nazarenos (ou nórdicos, o que até seria mais provável…).
    Mas olha que há descendentes de portugueses que se continuam a rever nessa ascendência de pois de séculos de separação, e não é no O Vice Rei de Ajudá. O que em casos que eu cá sei até é politicamente incorrecto e já provocou alguns suores ou perplexidades a algumas pessoas… Necessitadas, digamos assim.

  5. Genial…

    O Mercury, o post e os blogs…Tenho seguido este blog, e o outro do Público.

  6. alcipe diz:

    Se o Tata é persa, eu sou lusitano (tenho um altar a Endovélico escondido em casa)…

  7. Sérgio Mascarenhas diz:

    Em verdade se diga que não é assim tão incorrecto os parsis dizerem que são persas e por uma razão de fundo: eles encontram a sua ascendência e origem, quer do ponto de vista étnico, quer do ponto de vista cultural.

    Os parsis são descendentes de gente ida da Pérsia para a Índia há uns mil anos. Praticam uma endogamia estrita, o que, aliás, está a levar a comunidade à extinção. (Devido a taxas de natalidade muito baixas e ao abandono da comunidade pelos jovens para poderem casar ou viver com quem quiserem.)

    Praticam uma versão da religião ancestral persa assente no zoroastrismo (e de que o símbolo mais visível são as torres do silêncio, em crise devido ao desaparecimento dos abutres).
    Mantêm a memória das suas origens e história.

    Neste sentido a ligação dos parsis à Pérsia nada tem a ver com a invenção nacionalista da ligação entre portugueses e lusitanos. Está, isso sim, muito mais perto da ligação entre judeus e Palestina.
    (Se tivessem contado esta ao Rumsfeld ele teria certamente apoiado um movimento de recuperação da Pérsia pelos parsis, começando com a conquista de Ormuz!)

  8. diego david b.de mendonça diz:

    para dizer a verdade é que freddie mercury estara vivo em nossos corações para toda éternidade

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