Maio 29, 2009


 Já que se falou nisto no sábado passado, aqui vai mais um triunfo de uma Non-Resident Indian:

“After months of training (imagino o que tenha sido, decorar palavra complicada atrás de palavra complicada), in the end it took Kavya Shivashankar, 13, just nine correct letters to be crowned the new US spelling champion. She correctly spelt Laodicean, meaning to be lukewarm or indifferent in religion or politics (é irónico que tenha saído uma palavra que remete para a antiga cristandade…), to claim victory in the 2009 Scripps Spelling Bee. A record 293 spellers, including 28 from countries outside the US, had made it to the final stages of the contest.”


“Kavya, who comes from Kansas (terra da Dorothy, do feiticeiro de Oz…), had made the top 10 in each of her previous three appearances at the bee. She was the seventh Indian American to win the contest in the past 11 years and took home a $30,000 cash prize.Ver imagem em tamanho grande


“I can’t believe it happened, it feels kind of unreal,” said Kavya, who had traced each word on her hand as she spelled it. Her mother, Mirle, said the day was a “dream come true”.

Mais um mapa, distorcido para que a área de cada país seja proporcional ao número total de mulheres analfabetas subtraído do número de homens analfabetos:


Ver imagem em tamanho grande

  Adult Literacy Youth Literacy
China 91% 98.9% (2004)
India 66% 82% (2001)
Nepal 44.0 62.7
Pakistan 41.5 53.9
Sri Lanka 92.0 98.0
Bangladesh 41.1 49.7


e em Portugal?

Em 2001, quando do Censo, dez em cada 100 portugueses são analfabetos e apenas um terço completou o 1.º ciclo do Ensino Básico. As regiões do Sul do País que registam a maior taxa de analfabetismo.


Os 9% da média nacional actual são ultrapassados no Alentejo, com 16%, e no concelho de Idanha-a-Nova, no distrito de Castelo Branco, com 32%.

Se em 1991, os números do analfabetismo em Portugal se fixavam nos 11%, passados dez anos, a percentagem baixou 1%. Apesar de registar uma melhoria, o Alentejo continua a ser a região com o maior número de pessoas sem saber ler e escrever (15,9%), seguido da Região Autónoma da Madeira (12,7%). Em 1991, 20 em cada 100 alentejanos não sabiam ler, o mesmo acontecendo com 15 em cada 100 madeirenses.

Pelo contrário, Lisboa é a região com menor taxa de analfabetismo (5,7%) e também aquela em que se verificou uma menor oscilação relativamente aos últimos censos.

As mulheres continuam a registar a maior taxa de analfabetismo em todas as regiões do País, com especial incidência no Alentejo, na Madeira e na Zona Centro. Há uma década, 7,7% dos homens residentes em Portugal não sabiam ler nem escrever, sendo que nas mulheres a taxa quase duplicava, fixando-se nos 14,1%. A proporção entre os sexos mantém-se no último recenseamento, ainda que os números tenham baixado: 6,3 % dos homens e 11,5% das mulheres são analfabetos.


The basic literacy rate of the Portuguese population is 93%, however the functional literacy is amongst the lowest in Europe. According to official sources in 2007, 64% of the population never read one single book; within the population component that is functionally literate, only 17.9% read more than two books in one year (data collected by Marktest for TSF). According to INE (Portuguese Institute for National Statistics), only 3.7 million Portuguese workers (67% of the working active population) completed basic education (81% of the working population attainned the lower basic level of education and 12% attained the intermediate level of education).


– O cartaz inicial é soviético, de 1925 – “Faz algo para eliminar o analfabetismo – vem ajudar a combatê-lo.”, ou qualquer coisa assim…


In the Beginning God created the Big Bang…

Maio 28, 2009


No sábado passado, no Guardian, vinha este artigo a elogiar a tolerância religiosa na Índia: http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2009/may/23/face-to-faith-nitin-mehta

Hoje, no mesmo jornal, algumas afirmações são rebatidas num artigo chamado ‘O mito da tolerância hindú’, onde se conclui que sem o fim das castas haverá poucos avanços:

“There is a profoundly disquieting myth about Hinduism which has been put about by its adherents so often and so successfully that it is in danger of crystallising into a truth – that of its essentially pluralistic and tolerant traditions. Recently this viewpoint was repeated in the Face to faith column of this newspaper by Nitin Mehta who argued that “There are thousands of sects within Hinduism, and violence between them is unknown.” This is, at best, disingenuous and, at worst, dishonest. He appears to gloss over the troublesome fact that caste Hindus have been callous towards their own – the Dalits or the “Untouchables” as they were previously known. To argue that they are not a sect would be pure semantics.

“Nitin Mehta uses a piece of sophistry to suggest the superiority of Hinduism particularly vis-à-vis Islam without once mentioning Islam by name. He refers to the tolerance of religions that have their roots in India namely, Hinduism, Buddhism, Sikhism and Jainism – thereby implicitly damning Islam as a “foreign” imposition and as intolerant. Well here are the facts: Islam in India dates back to at least the 7th century. A presence of 1400 years is surely long enough to put down roots; there were nearly 10,000 cases of recorded crimes against Scheduled Caste and Scheduled Tribe members in 2007 and we know that most crimes do not get recorded in India because of a corrupt and brutal police force; many Indians are still reeling from the massacre of Muslims in Gujarat in 2002, one of several over the years; and only last year vicious attacks in Orissa left at least 60 Christians dead. It is little wonder that in the recent elections in India, many parties and political candidates defined their agendas in opposition to the BJP (Bharatiya Janata party), the political face of Hinduism.

 “Far from being sprinkled with the magic powder of tolerance, all those religions that rubbed shoulders with Hinduism picked up its divisive caste system. Even South Asian Muslims, despite the emphasis on egalitarianism in the Qu’ran, have a caste system. Sikhism, when it was founded by Guru Nanak, was an explicit rejection of both Hinduism and Islam, especially the caste system. Yet Sikhism is also polluted by the strictures of caste, not just in India but the world over. Gurdwaras or Sikh temples serving various Sikh castes have been flourishing in the UK from the time that Sikhs began settling here.

 “The recent killing of the Sikh Guru, Sant Ramanand, a Ravidassia (Dalit) Sikh in Vienna by higher caste Sikhs is a shocking reminder of the strength of these traditions even in small diasporic communities in Europe.

 “The gift of the caste system by Hindus to well over one-fifth of the world’s population wipes out the beneficial impact of any wisdom in its philosophical traditions. Until caste is eradicated, anyone trying to claim the mantle of tolerance for Hinduism must be opposed and challenged.”

Já agora, e só para encher um pouco mais, a sua autora, Rahila Gupta, pertence a uma associação chamada Southall Black Sisters que defende os direitos de mulheres negras e asiáticas vítimas de violência doméstica. Até parece que estou a promover o jornal, mas por acaso é também do Guardian um artigo de há 9 anos sobre a associação: http://www.guardian.co.uk/world/2000/jul/27/gender.uk1

Tornaram-se conhecidas há 20 anos com o célebre caso de Kiranjit Ahluwalia, que após 10 anos de violência sofrida, pegou fogo ao marido:  http://en.wikipedia.org/wiki/Kiranjit_Ahluwalia 

  Este filme conta a história. É com a Aishwarya Rai e a Miranda Richardson. São é capazes de não ter acertado no casting. A Aishwarya é a da esquerda, a Kiranjit a da direita…

Update: a foto inicial é de um muçulmano em Ahmedabad, na sua casa rodeada por hindús em fúria, a rogar ajuda à polícia. Março 2002.


algumas fotos que tirei no Rio…

Maio 25, 2009


“Benares is older than history, older than tradition, older even than legend, and looks twice as old as all of them put together.”                                         Mark Twain

 India 2008 053

India 2008 056

Na margem oposta a Benares, de onde nasce o sol…

India 2008 063

Todos os dias pelas seis da tarde havia aqui neste ghat uma cerimónia hindú:

India 2008 075

Um dalit andou a guiar-me pela zona das piras funerárias, e não descansou enquanto não comprei também umas madeiras… estão lá, espero, se um dia ainda forem precisas.

India 2008 067         India 2008 068

India 2008 051

India 2008 055


India 2008 054

India 2008 045

Em baixo, à direita, um ocidental…

India 2008 048”   

                                                                    India 2008 022              

India 2008 025








India 2008 036  Nadar pela manhã..


 E nada a ver com isto, mas outro mapa com piada: 



Já agora, a ver com previsões : 


E por último, e a ver com este blog:



Os eleitores de facto quase que nem tocaram nela..

Maio 25, 2009

Longo artigo no FT este sábado sobre os excessos palacianos da intocável Mayawati…


Mayawati’s BSP suffered an unexpected loss in these elections. Expected to win more than 35 seats, it remained at 19 seats….

Isto terá a ver com o futuro..

Maio 22, 2009

 Tem a ver com o debate sobre a quem pertence o futuro (e eu que julgava que ele só a deus pertencia…).


Encontrei este gráfico, que mostra  a distribuição do PIB mundial nos últimos 500 anos, e atenção que o aumento demográfico afecta essa distribuição.

Population growth since 1500


A Europa manteve mais ou menos a sua quota parte.  A partir do séc XIX o aumento da porção europeia vai mais ou menos proporcionalmente com o decréscimo chinês e indiano. Por alguma coisa deve ser…

E depois entram os Estados Unidos em campo, um novo factor esmagador nesta distribuição toda, e os Japões, etc.


 África é um caso. A África do Sul, que domina largamente o continente em número de PIB, tem uma economia como quem, a Finlândia?

E agora os números de PIB actual, FMI e Banco Mundial, respectivamente. Os dados do primeiro referem a UE-27, em 2008, e os do FMI são de 2007, e referem em bloco apenas a zona euro:

Rank  ↓ Country  ↓ GDP (millions of USD)  ↓
Flag of World World 60,689,812
 European Union 18,394,115
1  United States 14,264,600
2  Japan 4,923,761
3  China (PRC) 4,401,610
4  Germany 3,667,513
5  France 2,865,737
6  United Kingdom 2,674,085
7  Italy 2,313,893
8  Russia 1,676,586
9  Spain 1,611,767
10  Brazil 1,572,839
11  Canada 1,510,957
12  India 1,209,686
13  Mexico 1,088,128
14  Australia 1,010,699
15  South Korea 947,010
16  Netherlands 868,940
17  Turkey 729,443
18  Poland 525,735
19  Indonesia 511,765
20  Belgium 506,392

e Banco Mundial, mas em 2007:

Rank  ↓ Country  ↓ GDP (millions of USD)  ↓
Flag of World World 54,347,038
1  United States 13,811,200
  Eurozone 12,179,250
2  Japan 4,376,705
3  Germany 3,297,233
4  China (PRC) 3,280,053
5  United Kingdom 2,727,806
6  France 2,562,288b
7  Italy 2,107,481
8  Spain 1,429,226
9  Canada 1,326,376
10  Brazil 1,314,170
11  Russia 1,291,011
12  India 1,170,968
13  South Korea 969,795
14  Mexico 893,364
15  Australia 821,716
16  Netherlands 754,203
17  Turkey 657,091
18  Belgium 448,560
19  Sweden 444,443
20  Indonesia 432,817

 Agora façamos um exercício honesto, e dividamos a UE pelos seus 27 componentes. Os Estados Unidos ficam então sós, isoladíssimos lá à frente, apesar das crises… As diferenças cá pra baixo não são abissais, e podem agrupar-se. Primeiro temos, custa admiti-lo, eu sei…, dois asiáticos, Japão e China.

A seguir vem o bloco europeu, os 4 grandes, a Espanha um pouco mais atrasada… Só estes cinco são três quartos do PIB da UE…

Depois vem a terrível Rússia, a tal que ainda decidimos se faz ou não parte da ‘Europa’…

E por fim vêm cincos, Brasil, Canadá, Índia, México e Austrália. Economias mais ou menos ao mesmo nível. Vamos ter de começar a eliminar alguns destes, senão torna-se confuso.

E aqui não vou abaixo do 15º lugar e do trilião de dólares.

Se estamos a falar de ‘a quem o futuro pertence’, que é forma encapotada de dizer, quem é que vai dominar, acho que podíamos tirar Canadá, Austrália e México. Entre a Celine Dion e a gripe, o diabo que escolha. E não fazem propriamente parte de uma visão fantástica de alguma coisa.

Ficam assim sete envelopes, Estados Unidos, UE (os outros 22 vão por arrasto, é para isso que se chama União…), China, Índia, Japão, Rússia e Brasil (mas estes três estarão obcecados por quererem ‘dominar’ o futuro…?)

 GDP Density


Dois mapas mundi, um Pacífico-cêntrico, o outro Atlântico-cêntrico… Dizem algo sobre o centro e a periferia… Todos têm muita água, é verdade, mas se não houvesse água não tinha havido as Descobertas…


De qualquer maneira, gostamos mais deste segundo, não é? Põe-nos mais no centro… No outro nem se percebe onde está a Europa.

Só que este segundo põe na periferia as economias e populações mais vibrantes do planeta. Um problema – e isto a Europa também não compreende – é que o 1º mapa tem lá também os EUA em posição central. Eles assim podem, sempre puderam aliás, escolher… Mas um presidente com laços na Indonésia e no Hawaii (e já agora no Quénia, que é Índico…), não será certamente um defensor incondicional da primazia atlântica…



9 de 27 estados membros da UE têm crescimento negativo, e a maioria deles está abaixo do 0,5% de crescimento. A  média mundial é 1,1. A China está com 0,8% e a Índia 1,5, só que isso lá representa muita pessoa mesmo por ano. E a da Índia a aumentar mais. Aqui entraríamos no debate de a sobre-população ser o problema.

Population growth since 1500

 A população europeia não arranca…

Population growth since 1500


E pronto, chegamos ao âmago do debate, e o mais difícil de concluir, que é quem tem a alma e o génio para ser futuro. Aqui serão já mais os gostos que vingam…

PS – Mapa correcto :


Politics of India

Maio 21, 2009

E para a segunda aula, sobre os novos movimentos, actores e processos políticos indianos, de Nehru a Mayawati, nada melhor do que espreitar o acompanhamento que se fez no blogue 714 milhões das eleições indianas, cujo resultado foi anunciado no Sábado passado.

Vai ser uma aula muito oportuna para descortinuar o precário equilíbrio entre continuidade e mudança que actualmente se vive no sistema político indiano, com a manutenção de velhos ícones como o Congresso, a família Nehru-Gandhi e um dos federalismos mais centralizadores do mundo e, ao mesmo tempo, o aparecimento de novos como o partido dálita BSP de Mayawati, o Youth for Equality de que já falámos brevemente, e de toda uma nova geração de eleitores e políticos vastamente ocidentalizada na sua retórica e prática política.

The great Indian family

Maio 21, 2009

Sábado espera-nos mais do que uma simples viagem pela diáspora indiana – vamos também conhecer as comunidades de origem indiana em Portugal e como se inserem em trajectórias transnacionais entre a Ásia, África e Europa, bem como a forma como a sociedade e o governo indiano se estão a relacionar com a “grande nação global indiana”.

Ficam aqui alguns recursos, para quem procura uma primeira introdução.

Relatórios e sites institucionais:

High Level Committee on the Indian Diaspora, HLCID (2002), Report of the High Level Committee on the Indian Diaspora, New Delhi: Indian Council for World Affairs. Relatório complete: http://www.indiandiaspora.nic.in/contents.htm

Government of India, “Indian Diaspora Portal”, URL: http://india.gov.in/overseas/diaspora/nri.php.

Global Organization of People of Indian Origin (GOPIO): http://www.gopio.net

Ministry of Overseas Indian Affairs, Government of India (MOIA): http://moia.gov.in/

Notícias sobre a diaspora Indiana:

Times of India: http://timesofindia.indiatimes.com/Indians_Abroad/articlelist/222023.cms

Hindustan Times: http://www.hindustantimes.com/SectionPage/News_Indians_Abroad.aspx?SectionName=IndiansAbroadSectionPage

Sobre o nacionalismo e extremismo hindu e os seus apoios na diáspora:

Sabrang (2003), The Foreign Exchange of Hate: IDRF and the American Funding of Hindutva, Mumbai: Sabrang Communications and South Asia Citizen’s Watch, URL: http://www.stopfundinghate.org/sacw/index.html.

Therwath, Ingrid (2007a), “Working for India or against Islam? Islamophobia in Indian American Lobbies”, South Asia Multidisciplinary Academic Journal, Fall 2007, URL: http://samaj.revues.org/document105.html