para chegar a ‘obama’ já tem pelo menos 2 letras…

 

 Isto só paralelamente terá a ver com a Índia, mas este senhor é पीयूष जिन्दल, mais conhecido como “Bobby” Jindal, o governador do Louisiana, eleito em Outubro de 2007 em ambiente pós-Katrina, vencendo o rival democrata por 54% contra 17%. Ainda está a caminho dos 38 anos.

Os seus pais são de uma vila de 80 mil no Punjab, e emigraram antes de ele nascer.

Os seus ídolos de infância, e daí a alcunha, eram os Brady Bunch, um sitcom que, apesar de kitsch, revolvia em torno de assuntos novos para a época, como o divórcio e famílias com enteados e meios-irmãos. O Bobby, seu ídolo, era um desses..  Sinceramente não dei por esta série.

Andava mais virado para a Família Partridge… 

Mas Bobby converte-se ao catolicismo…. Forma-se em Biologia em Brown, mas depois faz uma pós-graduação em Oxford com uma tese  sobre “A needs-based aproach to health care”…

A sua carreira, embora curta, tem tido importantes apoios no estado, desde o principal jornal Times-Picayune de Nova Orleães, até ao do ex-governador. Na sua primeira eleição para governador, em 2003, perdeu surpreendentemente, tendo em conta aos resultados da primeira volta, mas logo a seguir candidatou-se ao congresso estadual, fez notícia com a forma rápida como recolheu fundos para a campanha, e venceu com 78%.

Foi  o governador mais jovem na história dos EUA; e é também o primeiro governador não-branco do Louisiana desde a Reconstrução.

O seu furacão chamou-se Gustav, em 2008.  As medidas todas que tomou terão contribuido grandemente para o facto de só ter havido 16 mortes.

 Bobby, Supriya, e… ´

Há uma ano atrás o Rush Limbaugh sugeria o seu nome para VP de MacCain. A verdade é que acabou por ir sozinho a casa de MacCain no Arizona, mas supostamente apenas para confirmar a sua intervenção na convenção republicana, para um momento tipo Obama 2004. Acabaram por não lhe dar um slot de keynote speaker, mas ele de qualquer modo também não foi à convenção, por causa do Gustav.

Nest nova era Obama, Bobby continua na linha da frente do combate republicano. Foi a ele quem coube, em Fevereiro, reagir ao discurso do Presidente perante uma sessão conjunta do Congresso.  Em http://www.youtube.com/watch?v=QFK8aTpYAmg vemo-lo a criticar o plano económico da nova administração. Mas as suas palavras foram mal recebidas, alguns comentadores conservadores descrevendo o discurso como “um desastre para o Partido Republicano”…   NYT “Governor Jindal, Rising G.O.P. Star, Plummets After Speech” – CNN “Jindal earns bad reviews in national debut” – AP “Republicans, Democrats criticize Jindal’s speech” – Bloomberg “Jindal’s Response to Obama Address Panned by Fellow Republicans”

E se forem ver as posições dele na maior parte das grandes questões sociais e políticas, é um tipo extremamente conservador e reaccionário. Mas é de observar a evolução dele no GOP.  

Esta peça recente da New Yorker fala dele: http://www.newyorker.com/talk/comment/2009/03/09/090309taco_talk_hertzberg

3 respostas a para chegar a ‘obama’ já tem pelo menos 2 letras…

  1. Constantino Xavier diz:

    Muito boa conclusão: é um tipo extremamente conservador, mas a ter em conta como resposta republicana a Obama, talvez daqui a uns quatro ou cinco mandatos.
    A mim interessa-me o perfil deste diaspórico, para o qual gostaria de chamar a vossa atenção: um homem originário do Punjab passa a ultra-católico americano, assumindo a alcunha de um ídolo de sitcom da classe média WASP.
    Ainda não chegámos à diáspora, mas não resisto já recomendar este livro, para quem quiser explorar uma soberba abordagem crítica da diáspora indiana nos EUA, fixada em assumir-se como uma “minoria-modelo”:
    The Karma of Brown Folk, de Vijay Prashad:
    http://www.upress.umn.edu/Books/P/prashad_karma.html

    Leitura parcial on-line aqui:
    http://books.google.pt/books?id=0FiMci1Q9e0C&dq=the+karma+of+brown+folk&printsec=frontcover&source=bn&hl=pt-PT&ei=FSzfSavEFYKv-QaY7pD6CA&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=4

    Não resisto a fazer a ponte com Portugal. Há nos que, no seio da comunidade goesa, denuncio um certo elitismo que assenta em três pilares a) não somos uma comunidade étnica/minoria, b) somos tão minoria/diferentes como os beirões ou transmontandos, e c) somos diferentes dos “outros diferentes”, isto é, somos melhores do que as outras comunidades indianas e outras minorias por que (e vem o recurso interminável a grau de integração, estatutos socio-económicos etc.).

    Mas vamos abrir aqui o espectro de análise: parece que este síndroma (como Prashad lhe chama) afecta também as outras comunidades indianas, incluindo a gujerate. No recente programa “Nós” que aqui recomendei (pode ser visto nos arquivos da RTP2, ou aqui do blog), o Ashok Hansraj, representante da Comunidade Hindu de Lisboa, um conhecido meu que respeito muito pelo seu trabalho em prol daquela comunidade, insistia, repetia e enfatizava vezes sem conta que “a nossa cultura” é diferente da dos “vendedores de flores”, esses bangladexes que “não são nada como nós” (subentenda-se: bem integrados, abastados, pacíficos – a tal “model minority”).
    (Reparem também na reacção silenciosa, mas um tanto incomodada da Prof. Rosa Perez).

    Vejam esse vídeo, é absolutamente soberba a demarcação que ali se faz, o que de uma perspectiva sociológica (e até para quem procura lidar com estas comunidades diaspóricas indianas) é muito útil e interessante. Pensava que afectava só os goeses, mas não. “Eles”, esses horríveis, miseráveis (e muçulmanos) vendedores de flores, não são nada como “nós”, bons portugueses.

  2. Sérgio Mascarenhas diz:

    Pois mas um Bobby PR dos EUA será verdadeiramente útil à Índia? Ou melhor, às relações EUA-Índia? Como o Constantino sabe bem os indianos têm uma visão… sobranceira, digamos, dos NRIs e PIOs, particularmente quando divergem da «matriz cultural do Bharat». Essa das conversões em particular, é verdadeiramente difícil de engolir. E qual era a casta dos pais do Bobby?

    Por outro lado, os imigrantes americanos de sucesso também tendem a olhar com sobranceria os estados de origem. Lembram-se da quantidade de expatriados nos EUA da Europa de Leste que avançaram para pôr ordem nas suas «pátrias» quando a Cortina caiu? 15′ de história, não ficou nada.

    Mas é de prestar atenção desde já à Sra. Jindhal…

  3. ken5z9mana diz:

    À Supriya??? Bota-se já foto aqui no blog!…

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