Mr. Q

Abril 30, 2009

 

  Não, não é este Q a que me refiro,

embora haja pelo menos um Bond rodado na Índia, Octopussy, onde o Roger Moore tem uma perseguição fantástica de rickshaw pelas ruas de Udaipur.    

Lendo as manchetes de ontem, quarta-feira, dos jornais de Nova Delhi: “Q factor returns to haunt Congress” no Hindustan Times, “Quattrocchi out of Interpol wanted list” no The Hindu,  “Government defends Quattrocchi waiver” no Hindustan Times, e já agora no Dainik Bhaiskar, “kwaatrocii bofors se baahar”… A notícia era basicamente a de o Central Bureau of Investigation – CBI – ter solicitado à Interpol que retirasse o nome de Ottavio Quattrocchi da sua lista negra.

Eu não conhecia os detalhes deste escândalo, que agitou o final dos anos 80, terá contribuído para a derrota do Congresso em ’89, e pelos vistos ainda faz correr tanta tinta 20 anos depois… Diz-se que o caso Bofors – que é dele que trata este post – é tão complexo que apenas quatro pessoas na Índia o sabem explicar..

   O CBI é a principal agência de investigação, criminal e de segurança interna. Está integrado no Ministry of Personnel, Public Grievances and Pension. Tem uma estrutura análoga ao o FBI mas os seus poderes estão algo limitados. É também o braço da Interpol na Índia.

A net está cheia de coisas sobre toda esta polémica, mas socorri-me do jornalista Vir Sanghvi para compreender isto um pouco melhor. . Então:

Em 1986 o exército indiano celebra um contrato, de cerca de 14,3 mil milhões de rupias, para a compra de 410 peças de artilharia de 155 mm, howitzers, à sueca Bofors, empresa já com alguns séculos, ligada ao ferro e à indústria de armamento. Alfred Nobel presidiu a ela nos últimos anos da sua vida, e é hoje propriedade da Saab e da BAE Systems.

Ninguém ligou a isto até que uma rádio sueca noticia em ’87 que a Bofors pagara luvas para assegurar o contrato. Os partidos políticos na Índia agarraram isto e logo pediram explicações ao governo do Primeiro Ministro Rajiv Gandhi.

O que ele devia ter dito: “Vamos investigar o assunto.”

Mas o que ele disse foi: “Não só não foram pagas quaisquer luvas, como também não houve comissões, pois o negócio não envolveu intermediários.”

Os críticos apenas tiveram que se preocupar em provar a existência de comissões – nem sequer ilegais – para mostrar que o governo mentia. A verdade, veio a saber-se, é que houve de facto comissões.

E assim entra em cena a jornalista Chitra Subramaniam.

  Based in Geneva in 1987, working for The Hindu, when the first bit of news came through on Swiss Radio about some pay-offs in the Bofors deal in India. Working out of Switzerland and Sweden, she got hold of the 300-plus documents which showed that the Swedish arms manufacturer had paid massive kickbacks to Indians and others for the gun deal.

For nearly one year she investigated the scandal, and sent back reports regularly to the Hindu. Due to political pressure, The Hindu finally ceased publication of the Bofors scandal and Chitra resigned and went to the Indian Express.

For her work on the Bofors scandal she has received several journalism awards including the prestigious B.D. Goenka Award and the Chameli Devi Awards. She is the author of several books, including; India is for Sale.

                Já agora, abrir pequeno parêntesis com trivia:

More recently, she co-founded a Swiss watch company BorgeauD SA, which has launched La Collection Gravitas, the world’s first watch that incorporates the Rahukaalam, a daily 90-minute sequence which is avoided for the taking of important decisions. The Rahukaalam calculations are part of the Indian Panchang, one of the world’s oldest almanacs.

Rahukaalam or the period of Rahu is a certain amount of time every day that is considered inauspicious for any new venture according to Indian astrology (Vedic). 

    How to remember Rahu Kalam Although the time Rahukaalam falls on each day, and its span varies and needs to be calculated as per the sunrise and sunset time. You may use the times below if you do not have access to accurate Rahukaal. These times are accurate only if the day lasts for 12 hours, and the sunrise is at 6.00 AM. You can adjust an approximation according to the sunrise and day length in your area.

       All you need to remember is “Mother Saw Father Wearing The Turban Slowly             

Mother = Monday = 7:30 – 9:00

Saw = Saturday = 9:00 – 10:30

Father = Friday = 10:30 – 12:00

Wearing = Wednesday = 12:00 – 13:30

The = Thursday = 13:30 – 15:00

Turban = Tuesday = 15:00 – 16:30

Slowly = Sunday = 16:30 – 18:00

 

                Fechar parêntesis, e voltemos à história.

 

Foi de facto graças a Chitra Subramaniam que se soube mais sobre as comissões pagas.

Assim, um primeiro pagamento foi para uma empresa chamada Pitco, controlada supostamente pela família Hinduja.

Srichand, Gopichand and Prakash Hinduja have been connected with the investigation into the long-running Bofors scandal, in which Swedish firm Bofors was alleged to have paid illegal bribes to Government officials and politicians in connection with the $1.3bn sale of 400 howitzers to the Indian Government in 1986. The three brothers were charged by the Indian Central Bureau of Investigation in October 2000, but in 2005 the High Court in Delhi threw out all charges against them, citing a lack of evidence and saying that documents central to the prosecution case were “useless and dubious” since their provenance could not be verified. Judge RS Sodhi said: “I must express my disapproval that 14 years of trial and 2.5bn rupees ($57m) of public money was spent on the case. It has caused huge economical, emotional, professional and personal loss to the Hindujas.

Um segundo pagamento foi para uma empresa do Panamá chamada Svenska, cuja conta suíça era controlada por Win Chadha, um conhecido negociante de armas de Nova Delhi.

Ver imagem em tamanho grande

 

 

He was an agent of Swedish arms manufacturer A B Bofors. Chadha was charge sheeted by the CBI in 1999 along with former defence secretary S K Bhatnagar, Kuala Lumpur-based Italian businessman Ottavio Quattrocchi, former Bofors chief Martin Ardbo and the company itself.Chadha had been accused of receiving a part of the Rs 640 million kickback in the Rs 14.37 billion deal signed in March 1986 by Rajiv Gandhi governement for the supply of 410 155mm Howitzer field guns to India. He died in 24 oct 2001.

O terceiro pagamento, num total de 4 milhões, é que levantou sobrancelhas.

Os dois primeiros pagamentos eram, pelo menos, compreensíveis – os Hinduja têm ligações a todos os partidos, e qualquer empresa intermediária num negócio tem o direito de receber comissões. O mesmo, no fundo, quanto a Win Chadha.

Mas este pagamento foi para uma misteriosa empresa – AE Services- de que nunca se ouvira falar, e de que tambem nunca mais se ouviu desde então. E por aqui que tudo isto se começa a complicar.

As 640 milhões de rúpias em luvas representavam 4,5% do negócio. Se já pode ser hoje uma soma considerável, um pouco mais de € 10 milhões há 23 anos…

O interesse jornalístico centrou-se assim em duas questões: quem estava por detrás da AE Services, e porque recebeu ela uma comissão? E, segundo, algum destes agentes passou parte das luvas a um burocrata, general, ministro, ou até ao próprio Primeiro Ministro?

As respostas não são fáceis. Investigada a AE Services, constatou-se que não dispunha de escritórios, só tinha um assalariado (um Major R.A. ‘Bob’ Wilson), e o seu capital era de apenas £ 100. Após receber o pagamento da Bofors, a empresa extinguiu-se.

As suspeitas avolumavam-se, surgindo duas teorias:

A primeira, de que a conta da AE Services eram luvas destinadas ao Congresso.

A segunda, de que a empresa seria apenas uma frente para os intermediários do negócio.

Os jornalistas concentraram-se na primeira: se o Congresso tivesse mesmo montado uma empresa fictícia para receber as luvas, quem no partido é que a geria? O primeiro suspeito era Arun Nehru.

Politician and columnist. In the 1980s he was the chief strategist for his cousin Rajiv Gandhi and a minister in his government, but owing to ideological differences defected with V.P. Singh to the Janata Dal. Presently he is politically more close to BJP.

 In the Nehru family tree, Jawaharlal Nehru’s father, Moti Lal Nehru and Nand Lal Nehru were brothers, both sons of Ganga Dhar Nehru.

Arun Nehru is the grandson of Nand Lal Nehru’s son, Shyam Lal Nehru, just as much as Rajiv Gandhi was the grandson of Moti Lal Nehru’s son, Jawaharlal Nehru.

Entretanto a Chitra Subramaniam ganhava acesso ao diário de Martin Ardbo, o patrão da Bosfors que assinou o contrato. Nele, além de referências a outros personagens, entre os quais um ‘Nero’…, saltou à vista um “Mr. Q”.

http://images.google.pt/imgres?imgurl=http://www.hinduonnet.com/fline/fl1624/16240103.jpg&imgrefurl=http://www.hinduonnet.com/fline/fl1624/16240100.htm&usg=__RoycZkoWc3sXfBs0ZKlu82coOdA=&h=242&w=300&sz=29&hl=pt-BR&start=1&um=1&tbnid=-aU6B-CT3239XM:&tbnh=94&tbnw=116&prev=/images%3Fq%3DMartin%2BArdbo%26hl%3Dpt-BR%26rlz%3D1T4ADBF_pt-BRPT309PT309%26sa%3DN%26um%3D1

Embora nada no diário ajudasse a perceber quem ela poderia ser, tudo apontava para Ottavio Quattrocchi, o representante da petroquímica Snamprogetti, braço da Eni nossa conhecida, em Delhi. Ver imagem em tamanho grande

 
 
 Mr. Q era já íntimo, desde os inícios de ’70, da família de Rajiv, já entretanto casado com uma conterrânea de Ottavio, e foi se tornando personagem incontornável em negócios do governo indiano com grandes empresas. As suspeitas reforçaram-se com a descoberta de uma pista que localizava algum do dinheiro da AE Services numa conta dele. Revelando ter algo a esconder, Quattrocchi também moveu um processo para impedir o banco suíço de revelar os detalhes da sua conta ao CBI indiano.

               Segundo parêntesis: os italianos gostam de numerar os seus nomes com cardinais – temos este Quattrocchi, há o ministro italiano da economia e finanças, Tremonti…

       Atenção, este link não recomendo a quem se possa impressionar:

http://www.shareordie.in/indian-baby-born-with-four-eyes-two-mouths-and-two-faces/

   Fechar este parêntesis desnecessário, embora nunca deixemos de falar de ‘outras Índias’…

Mas a descoberta de Mr. Q no fundo não resolvia a questão principal – quem é que ficou com as luvas?

Haveria uma maneira simplista de ver a coisa: foi Rajiv Gandhi, e decidiu-se a favor da Bofors. Mas isto abre outra questão: é que a Bofors já era a escolha do Estado-Maior do Exército, e mais especificamente do CEME General K. Sundarji, um dos mais famosos e competentes oficiais indianos.

Entre o envio ao governo da recomendação do EME, a favor da Bofors, e o momento em que aquele anuncia o vencedor do concurso, passaram-se apenas 24 horas. O exército tinha de estar envolvido…

Provavelmente nunca saberemos a verdade. Tanto Rajiv como o General já faleceram – Rajiv assassinado em Maio de ’91, por motivos não relacionados –  e todos aqueles mais ligados àqueles personagens mantêm-se calados.

Mas nada no historial de Sundarji levará a suspeitar de jogos escondidos.  Por outro lado, a quantia paga à Svenska era elevada demais para ser integralmente para Win Chadha, cuja relativa importância nisto tudo não o justificava.

As únicas certezas são as de que nem Congresso nem BJP estão a contar a história toda. E não é por coincidência que isto aparece agora outra vez em vésperas da 3ª fase das eleições.

BJP senior leader L K Advani on Tuesday trained his guns on CBI for asking the Interpol to drop the name of Italian Businessman Ottavio Quattrocchi from its Red Corner notice list and demanded a probe into the agency’s role during the last five years.

“This is a serious decision. It is not a question of Quattrocchi alone but the entire role of the agency during the last five years which should be probed. It is a very serious issue. They have become the “dastak” or “handtool” in the hands of politicians,” Advani, while campaigning in his constituency here, said.

Terming the Bofors scam as “Agni Pariksha” (teste de fogo) for the party, Veerappa Moily (porta-voz do Congresso) said, “our former Prime Minister Rajiv Gandhi’s name was dragged into the case even though we all know that he was Mr Clean. It is the vested interests of the opposition to raise Bofors issue whenever elections are there”. Ver imagem em tamanho grande

He said the Congress has always believed that all cases should take its own legal course and if there was any proof against anyone, the person should be prosecuted.

“But once everything has been settled by the courts, then why politicize the issue?” he asked.

  The CBI has facilitated his travel across the globe by asking Interpol to take him off the “wanted” list on 29 Apr 2009. Following a communication from the CBI, the Interpol has withdrawn the Red Corner Notice against the Italian. The development that comes barely three weeks before the end of the Manmohan Singh government’s tenure has brought back the issue of the Bofors scandal to the centre stage.”

Por fim, para quem queira mais detalhes:

·        In 1999, the CBI named Quattrocchi in a chargesheet as the conduit for the Bofors bribe. The case against him was strengthened in June 2003, when Interpol revealed two bank accounts held by Quattrocchi and his wife Maria with the BSI AG bank, London, containing €3 million and $1 million, a “curiously large savings for a salaried executive”.

·        February 5 2004 – the Delhi High Court quashed the charges of bribery against Rajiv Gandhi and others, but the case is still being tried on charges of cheating, causing wrongful loss to the Government, etc.

·        On May 31, 2005 – the High Court dismissed the Bofors case allegations against the British business brothers, Shrichand, Gopichand and Prakash Hinduja.

·        December 2005 – the additional solicitor general of India, acting on behalf of the Indian Government and the CBI, requested the British Government that two British bank accounts of Ottavio Quattrocchi be de-frozen on the grounds of insufficient evidence to link these accounts to the Bofors payoff.

  • The Indian Supreme Court directed the government to ensure that Ottavio Quattrocchi did not withdraw money from the two bank accounts in London. The CBI admitts that roughly Rs 21 crore, about USD $4.6 million, in the two accounts have already been withdrawn. The British Government released the funds based on a request by the Indian Government.

·        However, CBI claimed in an affidavit filed before the Supreme court that they were still pursuing extradition orders for . Interpol, at the request of the CBI, has a 12-year red corner notice to arrest Quattrocchi. A red notice is a request used by Interpol to request extradition.

·        Quattrocchi was detained in Argentina in 2007. He has been released by Argentinian police. However, his passport has been impounded and he is not allowed to leave the country. There is no extradition treaty between India and Argentina.

·        The CBI is expected to formally inform the court of the same on April 30.

·        Attorney-Genera Banerjee writes: “The CBI is under an obligation to have the matters set right at the Interpol level as there is no basis on which the RCN can continue…I am of the firm opinion that immediate action should be taken to withdraw the Red Corner Notice”. 

 

 


714 Milhões

Abril 29, 2009

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Para quem procura acompanhar especificamente as eleições na Índia, que decorrem até dia 13 de Maio (resultados a 16), podem aceder ao blogue 714 Milhões que, em conjunto com a Francisca Gorjão Henriques (jornalista do Público e participante do nosso curso), estou a coordenar numa iniciativa conjunta do jornal Público e do Instituto Português de Relações Internacionais.

Para poderem acompanhar com mais facilidade, as últimas mensagens vão aparecendo aqui na barra, do lado direito.


Bushmania

Abril 29, 2009

Sobre o debate que chegámos a ter sobre se Obama era adorado ou não pelos indianos, e por que razões:

LEADERS HERE can’t get enough of the American president. He’s “the best president vis-à-vis India in the past 50 years,” said a former diplomat. Prime Minister Manmohan Singh told him, “the people of India deeply love you.” Another nation in the throes of Obamania? In fact, the president beloved by the Indian elite is George W. Bush, credited with “de-hyphenating” Washington’s longtime “India-Pakistan” policy and championing last year’s landmark US-India civilian nuclear deal. (aqui)


Templo dos vistos

Abril 27, 2009

Há anos que estou para escrever sobre isto. Cheguei a ter a viagem planeada a este e outros sítios em que na Índia a tradição choca com a pós-modernidade, para uma reportagem para o Expresso. Com a revolução no Nepal, segui contudo para Catmandu. Cá vai então:

O Templo Chilkur Balaji também é conhecido por Visa Balaji Temple. Não é nenhum santuário patrocinado pela multinacional Visa. É sim um templo ao que acorrem semanalmente quase cem mil indianos que se candidatam a um visto de entrada para os Estados Unidos. Dão 11 voltas ao templo e, em caso de sucesso, regressam aqui para cumprirem a sua promessa, dando 108 voltas.

Um mochileiro sobre as origens desta tradição:

Why only 11 pradakshinas are prescribed for first-timers?
This practice has an interesting background. During 1969-70, borewells were dug up in the temple premises, to meet the temple’s water requirements; but the early trials ended in a failure. When the work began again, the priest , and two other devotees, offered prayers and started performing Pradakshinas. Water gushed out of the borewells, when they completed 11 pradakshinas. Subsequently, they offered 108 pradakshinas as thanks-giving gesture towards the Lord. This practice has been followed since then. (aqui)

O comentário muito técnico de um devoto, sobre a “especialização americana” de Sri Balaji:

this morning, i visited Chilkur Balaji temple near hyderabad. this god is said to be very powerful in helping people get VISAs, with specialization in US VISAs. (aqui)

E um vídeo:

Tudo isto vem no seguimento da aula 5, em que discutimos a modernização da classe média indiana. No resumo dessa aula perguntava retoricamente como seria possível um indiano acreditar em Rama e na bolsa Sensex ao mesmo tempo. Embora tivesse preparado os apontamentos para responder a essa pergunta, não os cheguei a partilhar por falta de tempo.

Cá está, portanto, o exemplo dessa fusão entre tradição e modernidade, entre espiritualidade e materialidade, que no quotidiano indiano se fundem muitas vezes numa só dimensão, ao contrário da rígida dicotomia com que são muitas vezes abordados e vividos no mundo ocidental.

Haverá outros exemplos, incluindo os grandes websites de matrimónio, os astrólogos virtuais, ou a nomenclatura sânscrítica e védica dos mísseis balísticos e outros equipamentos bélicos indianos (Agni, Dhruv, Brahmos, Nag etc.).

Fica aqui este, relacionado com a emigração indiana e os serviços consulares norte-americanos. Quando encontrarem um South Indian nos EUA, perguntem-lhe pois se a divindade Lord Balaji teve ou não uma influência decisiva na sua fuga para Ocidente.


A vida em Deli

Abril 27, 2009

Tim Tim no Tibete, o blogue de Luís Filipe Castro Mendes, Embaixador de Portugal em Nova Deli. A vida em Deli, com digressões pela Índia, pelo Sudeste asiático e pelo mundo da poesia.


The Hindus

Abril 27, 2009

The Hindus – An Alternative History, um livro que se recomenda aos que querem aprofundar alguns dos aspectos introduzidos nas aulas passadas sobre a cultura indiana e religião hindu.

Wendy Doniger’s erudite “alternative history” shouldn’t be anyone’s introduction to Hinduism. But once you’ve learned the basics about this most spiritual of cultures, don’t miss this equivalent of a brilliant graduate course from a feisty and exhilarating teacher. (aqui)


A Cidade da Alegria – Dominique Lapierre

Abril 23, 2009

capa1Gostaria de sugerir a sua leitura.
“Ao longo de frequentes estadas em Calcutá tive a sorte de conhecer algumas pessoas excepcionais. Deram-me tanto e tiveram uma tal influência na minha vida que resolvi escrever uma história sobre as suas vidas numa espantosa região do mundo chamada a «Cidade da Alegria».
Esta história reporta-se a homens, mulheres e crianças que foram arrancados às suas casas pela natureza implacável e circunstâncias hostis e lançados para uma cidade cuja capacidade de hospitalidade ultrapassou o imaginável. Esta é uma história de como as pessoas, mau grado  inconcebíveis dificuldades, aprendem a sobreviver, a partilhar e a amar.
A minha história sobre a «Cidade da Alegria» baseia-se em três anos de uma prolongada investigação em Calcutá e em várias regiões de Bengala. Tive acesso a diários e correspondência pessoais e o grosso da minha investigação consistiu em mais de duzentos entrevistas pormenorizadas, conduzidas por meio de intérpretes em várias línguas, incluindo o hindi, bengali e urdu. Estas entrevistas, que transcrevi para inglês e francês, constituem a base dos diálogos e testemunhos deste livro.
Os protagonistas da «Cidade da Alegria» desejaram manter o anonimato. Mudei, assim, propositadamente as identidades de algumas personagens e  determinados locais. A história que vos conto mantém-se, no entanto, fiel às confidências que os habitantes da «Cidade da Alegria» partilharam comigo e ao espírito deste sítio invulgar.
Embora seja o produto de uma investigação alargada, este livro não tem o objectivo de referenciar a índia como um todo. Tenho um afecto enorme pela índia e grande admiração pela sua inteligência, empreendimentos e tenacidade quanto  a superar dificuldades. Conheço bem as suas virtudes, grandezas e diversidade. O leitor não deve tornar extensíveis ao país como um todo as impressões que aqui recolhe lig adas a um pequeno rincão do mesmo – uma pequena área de Calcutá chamada «Cidade da Alegria».”