The end of charismatic politics?

Um texto de análise absolutamente fundamental para quem procura compreender o sistema político indiano e as eleições que se avizinham. Tenho algumas dúvidas sobra a tese defendida, mas merece ser discutidam, ainda por cima vinda de quem considero ser o melhor analista político indiano.

The end of charismatic politics is exemplified by the fact that after Rajiv Gandhi we have had a series of prime ministers who by any measure of popular charismatic authority, would fall short: Narasimha Rao, Deve Gowda, Inder Gujral and now Manmohan Singh. These leaders are all artifacts of some structural features of our political system.

3 respostas a The end of charismatic politics?

  1. outraindia diz:

    Quais são as dúvidas sobre a tese defendida?
    Sérgio

  2. Constantino Xavier diz:

    A tese é interessante, mas o próprio autor reconhece as suas limitações no texto, acabando-o assim:

    “there is no guarantee that powerful leaders, from the dynasty or outside, cannot emerge in the future, but if the analysis given above is correct, this is likely to happen either under very exceptional circumstances, or by an extraordinary act of political imagination. Lalu Yadav, in a typical moment of insight recently, said that if India were a presidential form of government, he would be a popularly elected leader. This was a way of saying that democracy may have little to do with who will be our next Prime Minister. This is a such a wonderfully open system.”

    Ora bem, as “circunstâncias excepcionais” são, como em todas as democracias, cíclicas. Se fosse Mehta, preocupava-me justamente o facto de, há quase vinte anos, não haver um “líder carismático” (e atenção à possível excepção Vajpayee e Singh). É sinal de que se aproxima uma nova era messiânica na política indiana, sinalizada aliás pela própria emergência de Yadav – há umas décadas um iletrado, hoje recebido de braços abertos para palestras nos melhores programas de MBA.

    E depois há outra insuficiência no argumento de Mehta, que ignora a perspectiva temporal: faça lá um play-back aos anos oitenta, noventa e avalie se Rajiv era mesmo considerado um “líder carismático”. Uma ova, diriam muitos – é tudo parte da bela narrativa que o Congresso nos impõe desde 1947! E até hoje ele é considerado por muitos como um falhado, se não corrupto, que herdou o poder de forma dinástica e se limitou a iniciar (ou será adiar?), muito timidamente, uma abertura económica inevitável.

    Numa frase: suspeito que, daqui a 10-20 anos, haverá um outro Mehta a nomear Vajpayee ou Singh como líderes carismáticos, respeitados, congregadores, e a queixar-se da burocratização e fragmentação da figura do Primeiro Ministro.

  3. Sérgio Mascarenhas diz:

    Sim e não. Pegando primeiro no sim, esqueces um nome, o mais carismático da Índia de hoje.

    Mas não. A questão chave é um conceito que Metha usa mas não desenvolve, o das estruturas de poder indianas que condicionam a emergência de líderes carismáticos. O sistema político indiano baseia-se no britânico. Ou seja, em representantes eleitos em círculos uninominais a uma volta. Óptimo (força de expressão) para culturas políticas caciqueiras mas péssimo para quem procure acabar com tal cultura.
    A Índia já era um caldo de caciques muito antes de os britânicos aprenderem a ler e escrever e adaptou o sistema destes como uma luva feita à sua medida.

    Quebrar a «estrutura» não é uma questão de mais ou menos carisma. É uma questão de mudar o sistema para outro modelo de representação, outra forma de eleição dos representantes. Mas isso ninguém quer…

    Sérgio

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