E se o indo-português tivesse nascido em Setúbal?

Imaginemos umas embarcações estranhas a chegar a Setúbal em finais do século XV, desembarcando pacificamente mas num tom de ‘viemos para ficar’? Diziam ser de um sítio chamado Kerala e rapidamente se instalam e começam a usar portugueses na construção de templos hindus por todo o distrito, e discretamente tentam convencer-nos de que os 34 milhões de deuses deles são infinitamente mais bondosos do que o único que por aqui venerávamos… E por aqui vão ficando, influenciando e deixando-se influenciar, criando o indo-português que permanece até aos dias de hoje… Só séculos depois nos fartamos da presença deles e decidimos ocupar Setúbal, ensaiando uma invasão em pinça, por sul via Tróia, e por norte, a partir do Montijo… Ficam lixados connosco, mas são obrigados a fugir… Ficamos umas décadas sem praticamente nos falarmos, deixando que o ressentimento se esgote com o tempo… Ficaram uns resquícios de língua, arte, e costumes… Mas para além disso, um imenso vazio, quase tão grande quanto o mar que nos separava…

8 respostas a E se o indo-português tivesse nascido em Setúbal?

  1. Sérgio Mascarenhas diz:

    Não é preciso ir tão longe. Basta procurar uma estátua em sítio público de um rei da terceira dinastia.

    Sérgio

  2. ken5z9mana diz:

    em setúbal, de um felipe??…

  3. Sérgio Mascarenhas diz:

    Quer dizer, os indianos em geral e os das zonas de presença portuguesa subscrevem aquilo a que Subrahmanyam chama a historiografia do ressentimento (aliás, na sequência de um historiador francês, salvo erro). Nós também temos a nossa historiografia do ressentimento, não precisamos de recorrer a histórias alternativas…
    Sérgio

  4. Constantino Xavier diz:

    A história está gira, mas acaba de forma errada: não restaria um “imenso vazio”. Restaria a bela, única e híbrida Setúbal e os híbridos setubalenses…

  5. ken5z9mana diz:

    Mas aquilo não era bem uma história alternativa.. apenas uma banda desenhada.. e essa do Subrahmanyam é mesmo só para eu usar o google, e não me estou a queixar… é pena ele ter ido para a California.. ou não é esse? é que há outros aqui… mas calculo que seja este, dadas as referências à presença portuguesa…

  6. Sérgio Mascarenhas diz:

    É esse Subrahmanyam, sim, mas de um artigo que (re)publicou num livro que tenho para aí.

    O que quis dizer foi que o ressentimento, que mais não seja de fachada, não se esgota no tempo assim com tanta facilidade. Nem em Goa, nem em Portugal, nem numa Setúbal de banda desenhada.

    Sem prejuízo disso, um cenário interessante para uma ficção.

    Sérgio

    PS Se eu tivesse talento literário e ficcional – não tenho e felizmente nunca me iludi quanto ao assunto – sei qual é a história que escreveria. Pegava naquela ideia peregrina do tempo de D. Francisco de Almeida de um casamento real entre a família de D. Manuel e a do Marajá de Narsinga e fazia uma ficção história a partir daí.

  7. ken5z9mana diz:

    só me está a apontar trilhos, mas eu usarei exactamente a mesma táctica do longínquo passado e usurpo-me do porto de destino…

  8. Sérgio Mascarenhas diz:

    Não fui eu que pus o grupo na senda das outras Índias. Estas são muitas, demasiadas como os seus deuses…

    Sérgio

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