“Calcutta” de Louis Malle na Cinemateca

Alguém viu e recomenda o documentário “Calcutta”  do realizador francês Louis Malle, que passa amanhã às 22h na Cinemateca?

Um olhar exterior, que mais uma vez (anos 70) gerou polémica e foi mal recebido pela imagem que dava da Índia…

p.m.

2 respostas a “Calcutta” de Louis Malle na Cinemateca

  1. outraindia diz:

    As filmagens do tríptico ‘Histórias extraordinárias’, em 1969, juntando Fellini, Roger Vadim e Louis Malle a filmarem contos de Egar Allen Poe, resultaram em grandes tensoes entre Malle e Alain Delon. Dizendo-se farto “de actores, estúdios, ficção e Paris”, Malle partiu para a Índia com dois técnicos, e filmou aquilo que viria a ser uma obra-prima, a série de documentários chamada ‘Índia Fantasma’, 7 episódios num total de mais de 6 horas. Malle sempre considerou esta como a sua obra mais pessoal .
    ‘Calcutá’ é um desses episódios. De 100 minutos, quase sem narração, com imagens fortíssimas de Calcutá em ’69, já com oito milhões de pessoas.
    Causou enorme controvérsia quando começou a ser exibido na BBC, com acusações de explorar comercialmente a pobreza e com a comunidade indiana no Reino Unido a enviar centenas de cartas de protesto. Uma reacção de Louis Malle foi dizer, “Se se está a filmar na Índia, o que é que se pode fazer, enxotar os pedintes? Se eles estão em todo o lado…”. Quando a BBC recusou suspender a série, a Índia expulsou o ‘bureau chief’ de Nova Delli.
    As reacções no ocidente foram opostas, tendo o documentário acabado por animar todo um interesse pela Índia e a sua cultura. E foi nomeado para a Palma d’Ouro em Cannes em ’69. Tenho pena de não poder ir… Posso contentar-me com montes de entradas que há no YouTube com imagens da série. Começo por aqui: http://www.youtube.com/watch?v=zwMx3FAN8qQ&feature=PlayList&p=ACDB27EBDA5D3197&index=0&playnext=1
    Uma curiosidade: Louis Malle foi muito importante também no lançamento da carreira de Susan Sarandon. …jro

  2. Constantino Xavier diz:

    Pois é, tal como no caso do Slumdog, estes “olhares exteriores” sobre a Índia são sempre polémicos. Tenho sido bastante crítico, denunciando o que vejo como a incapacidade indiana de se deixar representar cinematograficamente por “outros”, sejam eles Malles, Boyles ou mesmo a nível literário os “híbridos diaspóricos” Rusdhie e Naipaul).

    É natural que assim seja – em Portugal, há algumas décadas, assistia-se ao mesmo. Mas há razões que distinguem o caso indiano e que merecem ser notadas. Para os indianos, esta reacção deve-se a:
    1. A obsessão em corrigir a imagem “antiquada” (Índia miserável, cronicamente subdesenvolvida) com que sempre foram confrontados no Ocidente em relação ao seu país.
    2. O mito da “superpotência 2020”, o frenesim do crescimento económico e da “nova Índia”, que não permite “perder tempo” com a “velha Índia”, que se acredita ser temporária e em rápida extinção. Para a classe média indiana, é tudo uma questão de tempo – “the others (os milhões do bairro de Jamaal) “will eventually follow”. Ou, no pior dos casos (conversas em privado) – “the others will remain, so what? – life is always unequal”.
    3. Uma necessidade pós-colonial de afirmação, e profunda desconfiança perante representações externas da sua identidade – quem são estes brancos, que nos espezinharam durante séculos – para nos retratarem fielmente?

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