Reivindicar costelas

Segundo o Correio da Manhã, a Frida Pinto tem uma costela portuguesa, descendente de “portugueses de Goa” que terão emigrado para Mangalore entre os séculos XVI e XVIII. Fabuloso! Falta pouco e alguém irá descobrir que o Amitabh Bachchan tem uma unha portuguesa!

8 respostas a Reivindicar costelas

  1. outraindia diz:

    se virem abaixo o meu post de 13 fevereiro, antecipei-me oito dias ao Correio da Manhã, lol…. jro

  2. outraindia diz:

    Mas a questão verdadeiramente interessante é outra: porque é que a actriz escolhida foi uma «indo-portuguesa»? Bolinhos para a melhor resposta.

    Sérgio

  3. outraindia diz:

    muito sinceramente não penso que a raíz indo-portuguesa seja algo em que ela gaste muito tempo a pensar, lol… os católicos mangaloreanos (diz-se assim??) até saíram de Goa bem ressentidos com Portugal e a Coroa. Muitos foram para sul, os antecessores dela foram para Bombaím, que já não era portuguesa há dois séculos… acho que a escolha foi mais por ela ser muito bonita. ela vai agora entrar num novo filme do Woody Allen, que começa a ser rodado em Julho. Será também por causa das raízes longínquas e esquecidas a esta nossa terra que ela foi escolhida? O Danny Boyle confirma que foi mesmo a beleza, numa entrevista : http://content.foxsearchlight.com/videos/node/2961

    E diz ela: “I think it’s natural to want to become an actress after living in the city of stars and watching films all your life. After graduating from St Xavier’s College, Mumbai, I modelled for two years. After six months of giving auditions for films, I got a call to audition for Slumdog Millionaire. I thought this would be just another audition. But to my surprise, I was short-listed and finally selected. ”

    Não ganhei bolinho???? ….jro

  4. Sérgio Mascarenhas diz:

    Ná, não tem direito a bolo. Ser indo-portuguesa é essencial, essencialissimo. E a treta da fuga dos mangalorianos zangados com Goa e a Coroa é treta. Generalização abusiva das desventuras daquele padre goês que andou pela Europa a tentar à viva força que o tornassem Cardeal das Índias. O Padroado não lhe ligou nenhuma e refugiou-se na Propaganda Fidei. Acabou perdido em Mangalore, a tentar voltar ao redil.

    De novo a Ms. Pinto, ser indo-portuguesa não é acaso. A razão é simples, o beijo com que acaba o filme. Pior que isso, pedido pela mulher, em lugar de ser imposto pelo homem. Nenhuma hindu ou moura ousaria. Só mesmo uma indo-pt.

    Sérgio

  5. outraindia diz:

    Estou a fazer a pergunta para aprender: aqueles cristãos de Goa saíram então porquê? …jro

  6. Constantino Xavier diz:

    Sei pouco sobre estas questões históricas, mas uma coisa é certa: é hoje muito chique dizer-se que os seus antepassados fugiram/resistiram/combateram os “maus”, sejam eles portugueses, britânicos ou franceses (ou islâmicos).
    A ideia vigente hoje é a de que os Mangaloreanos católicos são “bons rebeldes” que se recusaram a aceitar o domínio colonial português em Goa, ou foram “forçados” a emigrar devido à estagnação económica do EIP. Verdade ou não, exagero à parte, também gostava de ouvir a versão alternativa do Sérgio MA.

  7. Sérgio Mascarenhas diz:

    Uma pergunta a que não respondi: porque sairam os cristãos de Goa para Mangalore? Não posso dizer com certeza, não há, que eu saiba, nenhum estudo sobre os portugueses e Mangalore. No entanto, há alguns dados que merecem ser referidos:

    Mangalore foi um ponto de presença portuguesa nos séculos XVI e XVII. Como em outros sítios, formou-se lá uma comunidade indo-portuguesa. Muitas destas comunidades sobreviveram à saída do Estado da Índia no final do século XVII e tiveram comunidades cristãs até ao século XX. Algumas estão mesmo a desaparecer à frente dos nossos olhos, caso de Cananor (em 2004 falei com uma representante da dúzia de sobreviventes, todos muito idosos; hoje é possível que já lá não esteja ninguém); outras conseguiram sobreviver e manter-se, caso de Cochim; outras migraram para sobreviver, caso os Anglo-Indians de Bombaim originários de Bassaím e região. Os católicos de Mangalore devem ter, pelo menos em parte, esta raíz.

    Depois houve a profunda transformação de Goa na passagem do século XVII para o XVIII. A presença holandesa e inglesa abafou a Índia portuguesa. Goa decaiu. É natural que parte da população convertida mais ligada ao comércio procurasse melhores pastagens. Ora Mangalore permaneceu fora da esfera de controlo directo de holandeses e ingleses, o que criou oportunidades num período de perseguições religiosas… protestantes (é de recordar que os holandeses se atiraram aos católicos).
    Ao longo do século XVIII Goa recompôs os seus circuitos comerciais e de influência regional. Isso pode ter levado gente a sair de Goa para outros sítios. Aliás, isso foi suportado pela reanimação do esforço missionário do padroado, conduzido já não por padres portugueses mas por padres goeses que tem o seu «ícone» no P. José Vaz.

    Como disse, a costa a sul de Goa tinha vários pontos de presença portuguesa com comunidades indo-portuguesas. Também disse que a maior partes destas comunidades desapareceu. Os holandeses dispersaram as das praças em que se implantaram. Pode ter sucedido que algumas destas populações se tenham ido refugiar em Mangalore. Depois foi apenas questão de corromperem os seus mitos por via erudita e transformarem a perseguição holandesa numa perseguição da Inquisição, esse «papão» criado pelos «historiadores» britânicos do século XIX e perpetuado até hoje na paupérrima historiografia indiana da presença portuguesa.

    Enfim, isto são só impressões porque estudos sérios inexistem.

  8. Sérgio Mascarenhas diz:

    As minhas desculpas à historiografia indiana da presença portuguesa. Se mantenho que ela é paupérrima em geral tenho que reconhecer que há excepções. Agora em casa fui rever o que B.S. Shastry tinha a dizer sobre o assunto em questão em Goa-Kanara Portuguese Relations, 1498-1763. Em traços gerais confirma o que eu disse, ou seja, a comunidade católica de Mangalore formou-se na sequência da perda das praças a sul de Goa devido a questões económicas e guerras.
    Ele tem uma referência breve ao impacto da Inquisição no Século XVI mas é de passagem, sem fundamentação e é claro que não resultaria daí a criação da comunidade católica de Mangalore.

    Shastry não trata a fundo o assunto mas o que diz não confirma, bem pelo contrário, a tese da fuga à Inquisição.

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