Nova Índia

“É um elogio à Índia”, diz Constantino H. Xavier, investigador no Instituto Português de Relações Internacionais (IPRI), que viveu quatro anos em Nova Deli até 2008. “Vem demonstrar uma nova Índia, Gatsbyana, com a assunção do individualismo e da ascensão social.” O que parecia uma impossibilidade até há pouco tempo, no país das castas, do determinismo social. “A história do filme é fantástica mas bastante real”, um reconhecimento da “grande capacidade de persistência” dos indianos. O protagonista “ganha o concurso graças aos saberes que acumula na vida e não numa escola de elite. A Índia hoje é isso: pessoas que vêm do nada, de zonas rurais subdesenvolvidas e esquecidas, e que conseguem subir na vida”, conclui.

7 respostas a Nova Índia

  1. outraindia diz:

    “all i wanna do is [balas a carregar, e disparos]
    and a [balas a carregar, e disparos]
    and take ya money”

    Curiosa também a escolha desta música para o clip (e filme propriamente dito). ‘Paper Planes’, que está na calha para um Grammy, é da cantora, e pintora, Mathangi Arulpragasam (aka M.I.A.), filha de um guerrilheiro tamil.
    Ela nasceu em Londres mas voltou cedo para o Sri Lanka, onde passou toda a infância em fuga, incluindo na Índia, regressando com onze anos a Inglaterra. Tem tido vários vídeos censurados, por imagens alegadamente de apoio aos Tigres do Tamil.

    Mas leiam uma entrevista ela, por sinal da semana passada, publicada no Wall Street Journal:
    http://online.wsj.com/article/SB123327207710830899.html?mod=googlenews_wsj
    …jro

  2. Constantino Xavier diz:

    Acho que há ainda um som subtil, entre as balas e os disparos, que é fundamental para perceber a nova Índia, segundo Boyle… uma máquina registadora a facturar!

  3. outraindia diz:

    A registadora – e eu enganei-me anteriormente: num momento é só a bala a carregar, no outro, então sim, a disparar – a registadora parece que não está em todas as versões da música. Ainda não me dei ao trabalho de ir comparar… …jro

  4. Sérgio Mascarenhas diz:

    Olá Constantino,

    Também gostei muito do filme. Ele é praticamente incompreensível para um ocidental que não conheça a Índia.
    E é um elogio à Índia, mas não só. É um tremendo murro no estômago de Bolhiwood. Suspeito que o filme vai deixar marcas profundas. Mais um ou dois filmes como este e a Bolhiwood que conhecemos está condenada.

    Sérgio

  5. outraindia diz:

    Pedro Moiteiro

    Ainda Slumdog Millionaire… Um dos pontos fortes do filme é mostrar essa capacidade de Jamal se transcender – lutar e sonhar – quando tudo está contra. E nisso temos muito a aprender.

    Lugar à polémica é que não vejo. Primeiro os protestos, na defesa do indefensável – como se a índia não fosse também pobreza e exploração. Agora, o delírio e a ovação porque o Ocidente se desfez em Óscares. Estas são várias Índias, ou a adolescência duma Nova Índia que precisa ainda do reconhecimento externo?

    “Patriotismo é gostar dos seus, nacionalismo é odiar os outros.” Roman Gary

    Precisa a Índia de esconder o que tem de pior? Precisa a Índia de atacar quem (também) mostra o que não está bem? Precisa a Índia afirmar-se contra alguém?

    p.m.

  6. outraindia diz:

    Acho que não é uma questão de esconder, é mesmo uma questão de não ver, de atenção selectiva. Lembra-me um caso que aconteceu comigo há uns 6 anos.

    Eu estava no Zee Bop (praia de Velsão em Goa) com a minha filha junto ao mar. Por ali passava uma espécie de pedipaper. Jovens indianos passavam em grupos de 2 e 3. Numa atitude tipicamente indiana viam a minha filha, paravam, pediam para tirar uma foto com ela ou dela.

    Primeiro grupo, tudo bem. Segundo grupo, vá lá. Terceiro grupo… raios eu quero estar aqui a gozar a praia sem ser incomodado.

    A poucos metros estava um miúdo indiano, devia ser filho de umas vendedoras de praia, gente pobre, ele com ar miserável mas uma criança muito bonita.

    Grupo seguinte, podemos tirar a foto? Sim mas terá de ser aos dois, e aponto para a minha filha e para o miúdo.
    Nem esboçaram uma resposta, retomaram a marcha como se nada tivesse acontecido. E assim foi com mais um par de grupos.

    As classes média e acima indianas não olham para baixo, pura e simplesmente. Elas lidam com quem lhes está abaixo mas «não vêem».

    E esta é a chave da reacção ao filme de gente como Bacham, o filme é injusto, não porque a pobreza não exista, não o nega, mas porque ela é mostrada. Não é justo mostrar-se a pobreza. Não se nega, até se pode tentar eliminar, mas não se vê, não se regista.

    Sérgio

  7. Constantino Xavier diz:

    Excelente, essa história em Velsão. E é exactamente isso – para a Índia-classe-média “lidar com”, não significa reconhecer/respeitar. Pelo contrário…

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: